Os eletropostos deixaram de ser uma ideia do futuro para se tornar parte de um mercado que está crescendo diante dos nossos olhos.
O que antes parecia novidade agora faz parte de uma transformação real que acompanha o avanço dos carros elétricos.
Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), o Brasil tinha cerca de 18 mil eletropostos públicos instalados em outubro do ano passado. De acordo com Aírton Barros, diretor, esse número está abaixo do ideal.
Afinal, hoje existe em média um ponto de recarga para cada 18 carros elétricos e híbridos plug-in, quando o recomendado seria um para cada 10 veículos. Para quem pensa em investir, é uma ótima notícia.
Continue a leitura para saber mais.
O que são eletropostos?
Eletropostos são estações de carregamento para veículos elétricos. A principal diferença entre um eletroposto comercial e um carregador residencial está na velocidade.
Os postos de recarga podem ser instalados em locais públicos, semi públicos ou privados, como: estacionamentos, supermercados, hotéis, condomínios, empresas, postos de combustível, centros comerciais, rodovias etc.
Como funciona um eletroposto na prática?
O motorista chega, conecta o veículo ao carregador, autentica o uso — em alguns casos via aplicativo ou sistema integrado — e inicia a recarga.
Na prática, isso significa que o proprietário do ponto de recarga veicular não precisa ter um funcionário no local o tempo todo.
O sistema costuma processar pagamentos via Pix ou cartão de crédito, intermediar a relação com o usuário e organizar a parte operacional do carregamento.
Quem usa eletropostos?
Os principais usuários de eletropostos comerciais são pessoas que dependem do carro para trabalhar ou circular com frequência.
Por exemplo: motoristas de aplicativo, motoristas executivos, frotas empresariais, turistas e viajantes.
No caso de quem usa o carro apenas em família, o mais comum é carregar em casa, recorrendo ao eletroposto durante viagens.
Já os veículos de empresas tendem a usar mais os carregadores de rua, porque o motorista não vai transferir para a própria conta de luz o custo de recarregar um carro corporativo em casa.
Quanto tempo demora para carregar um carro elétrico no eletroposto?
O tempo de recarga depende principalmente de dois fatores: a potência do equipamento e o modelo do carro.
Em média, um eletroposto rápido leva de 20 a 50 minutos para carregar o veículo de 30% a 80% da bateria.
Ou seja, não existe um tempo único. Tudo vai depender da combinação entre o carregador instalado e a capacidade de recarga do automóvel.
Quais os tipos de carregadores: AC, DC, wallbox e recarga rápida
Uma das decisões mais importantes é entender qual tipo de carregador faz sentido para o seu projeto.
Carregador AC (corrente alternada)
É o tipo mais comum em residências, condomínios, empresas e estacionamentos de permanência média ou longa.
Carregador DC (corrente contínua)
Aqui entra a recarga rápida e, em alguns casos, a ultrarrápida. Esse modelo faz mais sentido para locais com alta rotatividade.
Wallbox
O wallbox é muito lembrado em projetos residenciais, mas também pode ser excelente para pequenos empreendimentos.
Estações compartilhadas
São ideais para estacionamentos, edifícios comerciais, shoppings e condomínios. Algumas soluções permitem recarga simultânea.
Qual é o retorno do investimento de uma estação de recarga?
O retorno do investimento varia conforme a potência do carregador e o valor total aplicado na operação.
A estimativa é a seguinte:
um carregador menor como 40 kW pode levar cerca de 2 anos ou um pouco mais para retornar o investimento;
um carregador de 80 kW pode ter retorno em aproximadamente 15 meses;
um carregador maior, especialmente operando em média tensão, pode alcançar payback em torno de 10 meses ou menos, dependendo do contexto.

Como ganhar dinheiro com eletropostos?
O software de gestão recebe o pagamento do cliente final, retém sua taxa e repassa o valor restante ao dono da operação.
Depois disso, o proprietário precisa arcar com a conta de energia, os impostos e demais despesas do negócio, como: limpeza, contabilidade e manutenção.
Em resumo, o lucro real é o que sobra depois de descontados:
a taxa da gestora;
a energia consumida;
os impostos;
os custos operacionais do ponto.
Conta de luz mais barata: entenda a transição energética
Qual potência vale mais a pena: 60, 80 ou 120 kW?
Se o local for limitado e só comportar um carro, talvez seja bom começar com uma máquina menor. Mas, se houver condições, a recomendação é optar por um equipamento mais potente. Quanto mais potência, melhor.
A dica é instalar uma máquina de 120 kW e operá-la temporariamente em baixa tensão, com potência reduzida, para depois fazer upgrade da infraestrutura e aumentar a capacidade de operação.
Qual é a diferença entre baixa tensão e média tensão?
Na baixa tensão o imóvel já recebe a energia pronta para consumo. Na média tensão, é necessário ter estrutura própria para transformação da energia, como uma subestação.
Com até 75 kW de carga disponível, normalmente o projeto pode ficar em baixa tensão. Acima disso, o ideal é migrar para média tensão – o que requer maior investimento em infraestrutura elétrica.
Preciso estar presente o tempo todo para o posto funcionar?
Não. O software de gestão permite que a máquina funcione sem necessidade de presença constante do dono, cuidando da cobrança, do atendimento e de parte do suporte operacional.

Como funciona o software de gestão?
O sistema faz a intermediação da cobrança, o atendimento ao usuário e o repasse ao dono do equipamento.
Embora não seja obrigatório, sem essa tecnologia seria necessário ter um humano operando a máquina.
Como é feita a manutenção dos eletropostos?
Os equipamentos possuem garantia de fábrica com opções de 3 a 5 anos, dependendo do modelo. Além disso, você pode contratar manutenção periódica com visitas regulares para limpeza e prevenção.
Em caso de falha, as peças estão disponíveis no Brasil – mas a mão de obra pode ser cobrada separadamente.
Qual é o melhor lugar para instalar um carregador de carro elétrico?
Entre os pontos mais promissores estão:
postos de gasolina;
hotéis e pousadas;
shoppings e centros comerciais;
estacionamentos;
condomínios;
padarias;
restaurantes que funcionam o dia todo;
rodovias;
Pense assim: um hotel com carregador pode conquistar hóspedes que antes descartariam o local. Um shopping pode aumentar a permanência. Um condomínio pode se valorizar. Um posto rodoviário pode virar parada preferencial de quem viaja com veículo elétrico.
Não olhe para o eletroposto como se fosse apenas um “equipamento que vende energia”. Em muitos casos, ele funciona como infraestrutura estratégica, semelhante ao Wi-Fi de qualidade, ao estacionamento ou ao ar-condicionado: algo que influencia a escolha do cliente e fortalece o negócio principal.
Qual região do Brasil é melhor para investir?
Cidades turísticas tendem a ter mais motoristas de aplicativo, mais frotas e mais circulação, o que favorece a demanda. Em contrapartida, também costumam ter mais concorrência. Já cidades menores podem ter menos demanda imediata, mas muitas vezes oferecem a vantagem de ainda não ter concorrentes.
O que muda entre instalar um carregador menor ou um mais potente?
A potência influencia diretamente no volume de energia vendida e no valor que pode ser cobrado pela recarga.
Quanto mais potente for o carregador, maior tende a ser a quantidade de energia comercializada no mesmo período.
Isso significa que, em tese, uma máquina mais forte pode faturar mais do que uma mais fraca no mesmo intervalo de tempo.
Quanto custa para instalar um eletroposto?
O valor do investimento depende do tipo de equipamento e da estrutura necessária para a instalação. Um projeto mais básico, com um carregador menor, pode começar por algo em torno de R$ 60 mil.
Já uma operação mais robusta, com carregador de 60 kW, pode chegar perto de R$ 100 mil, considerando máquina e instalação.
Se a ideia for começar com um equipamento de 120 kW, mesmo operando inicialmente em baixa tensão, o investimento pode ficar entre R$ 115 mil e R$ 120 mil.
Já uma estrutura completa, com carregador de 120 kW operando com infraestrutura adequada de média tensão, pode chegar a algo próximo de R$ 200 mil.

Quanto tempo demora para o carregador chegar?
Aproximadamente 70 dias, contados a partir da sexta-feira seguinte ao pedido.
O contrato prevê 90 dias como margem de segurança para possíveis atrasos, mas a expectativa média é 70 dias.
Como funciona a forma de pagamento?
O pagamento costuma ser dividido da seguinte forma: via Pix, cartão de crédito à vista ou parcelado:
uma parte no ato do pedido;
outra no desembarque do equipamento;
e a parcela final cerca de 30 dias após o recebimento da máquina.
Por que investir em eletropostos?
O primeiro motivo é simples: o número de veículos elétricos está aumentando. O segundo é ainda mais estratégico: a infraestrutura ainda está em construção. Isso significa que há espaço para quem entrar cedo e escolher bem onde instalar sua estação de recarga.
O investidor não precisa esperar o mercado “ficar maduro” para começar. Muitas vezes, é justamente na fase de crescimento que surgem as melhores oportunidades de ocupação territorial e diferenciação.
Além disso, o eletroposto pode gerar valor de diferentes formas:
cobrança direta pela recarga;
aumento do fluxo de clientes em comércios;
valorização de empreendimentos imobiliários;
retenção de clientes em hotéis, restaurantes e shoppings;
diferencial competitivo para condomínios e empresas;
construção de marca ligada à inovação e sustentabilidade.
Ou seja, em muitos casos, o retorno não vem apenas da energia vendida, mas do ecossistema que o carregador ajuda a criar.
Vale a pena instalar um carregador em uma cidade com poucos carros elétricos?
Sim. Em muitos lugares, a frota de carros elétricos ainda não cresceu justamente porque falta infraestrutura de recarga. Ou seja, o eletroposto pode ajudar a criar a própria demanda, transmitindo segurança para quem pensa em comprar um veículo elétrico mas ainda tem receio de não ter onde carregar.
Conclusão
Como você viu, os eletropostos são uma oportunidade de investimento ligada ao crescimento da mobilidade elétrica no Brasil. A decisão, porém, envolve avaliar potência, infraestrutura, local de instalação, modelo de gestão, prazo de retorno e capacidade de sustentar a operação até ela ganhar tração.

